quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O som da letra jota.

“O que eu mais quero é te dar um beijo / E o teu corpo acariciar.” O Grupo Revelação não está entre as minhas bandas favoritas, mas houve sempre qualquer coisa nesta música que a torna irresistível. “Você bem sabe que eu te desejo”. Mas o quê?

“Se você jurar / Eu posso até te acostumar”. Foi ao ouvir o Marcelo Camelo - esse, sim, perto do coração - que me apercebi do padrão.

“Ai ai ai, moreno / Desse jeito você me ganha”. Beijo. Desejo. Jeito. Jura. Não tem tanto que ver com a subjetividade de cada uma destas palavras, mas a carga que lhes confere o som tão íntimo da letra jota. Daqueles que se sussurram ao ouvido e provocam arrepios por todo o corpo. É uma sorte; haveria melhores palavras para sussurrar ao ouvido?

É engraçado não funcionar, por exemplo, com “Jura / Que não vais ter uma aventura”. Desculpa, Rui, mas é mesmo assim. Falta-lhe o sotaque adocicado, o calor que se sente até na forma como nos falam, íntimo, pessoal. Como o de Djavan, Gil, Jorge.

Beijo. Desejo. Jeito. Jura.

Abençoada língua brasileira.

Bónus: Playlist "O som da letra J"

> Da minha coluna "Ligeiramente Alienígena", no blog da associação Código Simbólico.

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