domingo, 12 de abril de 2015

Analog love #4: Praktica.

Confesso que fiquei um pouco desiludida com a minha primeira tentativa com a câmara, não por causa da falha na pilha, que me fez perder dois terços das fotos que tinha tirado, mas mais pelo facto de a qualidade da imagem ser tão boa que quase parecia uma fotografia digital.
Parece coisa de hipster, eu sei, mas é assim a vida.
No resto, é claro, adoro-a.






terça-feira, 7 de abril de 2015

Iracema.

O lábio do guerreiro suspirou mais uma vez o doce nome, e soluçou, como se chamara outro lábio amante. Iracema sentiu que sua alma se escapava para embeber-se no ósculo ardente. 

A fronte reclinara, e a flor do sorriso expandia-se como o nenúfar ao beijo do sol.

Iracema, José de Alencar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O som da letra jota.

“O que eu mais quero é te dar um beijo / E o teu corpo acariciar.” O Grupo Revelação não está entre as minhas bandas favoritas, mas houve sempre qualquer coisa nesta música que a torna irresistível. “Você bem sabe que eu te desejo”. Mas o quê?

“Se você jurar / Eu posso até te acostumar”. Foi ao ouvir o Marcelo Camelo - esse, sim, perto do coração - que me apercebi do padrão.

“Ai ai ai, moreno / Desse jeito você me ganha”. Beijo. Desejo. Jeito. Jura. Não tem tanto que ver com a subjetividade de cada uma destas palavras, mas a carga que lhes confere o som tão íntimo da letra jota. Daqueles que se sussurram ao ouvido e provocam arrepios por todo o corpo. É uma sorte; haveria melhores palavras para sussurrar ao ouvido?

É engraçado não funcionar, por exemplo, com “Jura / Que não vais ter uma aventura”. Desculpa, Rui, mas é mesmo assim. Falta-lhe o sotaque adocicado, o calor que se sente até na forma como nos falam, íntimo, pessoal. Como o de Djavan, Gil, Jorge.

Beijo. Desejo. Jeito. Jura.

Abençoada língua brasileira.

Bónus: Playlist "O som da letra J"

> Da minha coluna "Ligeiramente Alienígena", no blog da associação Código Simbólico.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O meu amigo Rui.

Não teria sido um dia tão bom se não fosse o dia da despedida da Andreia. Não estaria lá a dona Laura, não estaria a tocar Zeca Afonso e, acima de tudo, não estaria lá o meu amigo Rui.
Ainda não éramos amigos naquela manhã, quando entrei na Unicepe, com a ousadia tímida de quem tem uma missão mas não sabe como a cumprir.

“Tem companhia para almoçar?” Foi assim que começamos uma longa viagem pelas viagens do Rui.

“Quem diria hoje de manhã que eu faria uma amiga”, diz-me com toda a naturalidade de quem não se importa com a banalização da palavra “amigo”, simples assim, de coração.

O meu amigo Rui (acho que por essa altura já éramos amigos) insistiu que eu experimentasse uma boa sopa portuguesa e, no prato principal, ensinou-me a comer um bom peixe – é preciso sentir as espinhas com a língua e tirá-las da boca, uma a uma, empurrando-as entredentes.

Falamos da Unicepe, claro, mas cada parte da história entrelaçava-se com as histórias dos seus personagens – os seus amigos. Juntos, viajamos para Beijing, onde o Rui esteve três vezes. Navegamos também para o Chile, onde ficou hospedado – com uma das maiores atrizes chilenas e os seus irmãos – na casa ao lado da de Pablo Neruda, na Isla Negra. Numa das suas viagens pelo país, conheceu também uma descendente do pai da revolução chilena.

O Rui falou-me de vários amigos, mas a história que mais me cativou foi a da Gabriela, de Maceió, que fez uma ponte literária entre Angola e o Brasil.

“Conheces?” Nunca me senti tão desprovida de cultura como nesse almoço, mas não faz mal, porque o Rui já era meu amigo e os amigos não nos julgam.

Entrar na Unicepe naquele fim de manhã foi o melhor acaso de sempre, o início de algo muito bom, muito grande. E que menos podia ser esta viagem que começou naquele lugar de tantas outras viagens, tantas aventuras, tantos amigos?


> Da minha coluna "Ligeiramente Alienígena", no blog da associação Código Simbólico.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

100 palavras por dia.

É este o desafio, agora que o mestrado acabou e o vazio é esmagador. Talvez mais. Quando for preciso, menos. Nada, nunca.

Não sei bem quando começa, mas fica feita a promessa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Raízes.

Esta semana despedi-me do meu irmão mais novo, que foi estudar para Londres. Há dois anos e meio, foi a despedida do nosso irmão mais velho, que decidiu ir para lá trabalhar. Entretanto, em junho, completaram-se três anos desde que os meus pais voltaram para o Brasil.

Porque é que não vais com eles? Sei lá. E porque não ficar?

Criei raízes. Não sei se será mais pelo amor, pelos amigos ou pelo trabalho, mas são fortes e difíceis de arrancar. Sinto quase a dor do puxão quando envio alguma candidatura para fora daqui, e não esquecer que a dor é o alerta do corpo de que algo está mal. E realmente, mesmo que signifique continuar longe da família, algo parece estar mal quando penso numa vida fora daqui.

Quando me for – se um dia decidir, de facto, ir – não vai haver contagem dos anos que aqui vivi, porque não há números que traduzam “desde que me dou por gente”. Apesar de me sentir 100% brasileira, sou também 100% do Porto (no coração as leis da matemática são outras). Não é apenas a cidade ou o país onde construí a minha vida. Apesar das minhas mil queixas sobre o jeitinho tuga de ser, o facto é que tudo em mim, desde os palavrões com sotaque ou simplesmente ao pensar com uma mão no coração, não me deixa mentir: já sou demasiado portuguesa, sou mesmo daqui.

Perguntam-me novamente se tenho a certeza de que quero ficar. Caramba, quem tem certeza de tudo nesta vida?

> Da minha coluna "Ligeiramente Alienígena", no blog da associação Código Simbólico.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Algumas notas.

ABRIL 13, 2009
Algumas notas.
(...)
4. O artigo de análise anda a meio gás. Nem eu gosto da minha versão 1.0. Mas, como dizem, o que tem que ser tem muita força, e logo terá que ser mesmo.
Publicarei.

A história repete-se. Protelando desde sempre. #vaitese

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

3 coisas que aprendi em 3 anos de licenciada.

1. Ninguém se importa.

2. A Comissão da Carteira é uma Comissão de Chulos.

3. Não é para hoje.

Venham mais 3 anos.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Why I Teach Plato to Plumbers

"So, what good, if any, is the study of the liberal arts, particularly subjects like philosophy? Why, in short, should plumbers study Plato?

My answer is that we should strive to be a society of free people, not simply one of well-compensated managers and employees. Henry David Thoreau is as relevant as ever when he writes, “We seem to have forgotten that the expression ‘a liberal education’ originally meant among the Romans one worthy of free men; while the learning of trades and professions by which to get your livelihood merely, was considered worthy of slaves only.”

Traditionally, the liberal arts have been the privilege of an upper class. There are three big reasons for this. First, it befits the leisure time of an upper class to explore the higher goods of human life: to play Beethoven, to study botany, to read Aristotle, to go on an imagination-expanding tour of Italy. Second, because their birthright is to occupy leadership positions in politics and the marketplace, members of the aristocratic class require the skills to think for themselves. Whereas those in the lower classes are assessed exclusively on how well they meet various prescribed outcomes, those in the upper class must know how to evaluate outcomes and consider them against a horizon of values. Finally (and this reason generally goes unspoken), the goods of the liberal arts get coded as markers of privilege and prestige, so that the upper class can demarcate themselves clearly from those who must work in order to make their leisure and wealth possible."

Aqui.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Coisas boas.

Fragmentos de felicidade:

1. Postais.
Coisas na caixa do correio em geral.
Mas postais é que dão borboletas na barriga.

2. Minis no frigorífico.
Choro de felicidade.

3. Medalhas de ouro olímpicas.
Atletas a chorar enquanto a bandeira é hasteada e se ouve o hino.
Choro também.

4. Fandangos.
Preciso explicar?

5. O momento depois de entregar o IRS.
Ninguém conhece o verdadeiro alívio até o momento em que entrega a declaração do IRS pela primeira vez.

6. O Natal.
Família, calor, gelados e o sorriso dos meus avós.
Não há nada que lhe chegue aos pés.

7. Ler.
Das infinitas possibilidades de libertação.

8. Passar.
A um teste, a um concurso, ao próximo nível do Candy Crush Saga.
Heróis por alguns instantes.

9. Ver fotos pela primeira vez.
Quando acabamos de as revelar a expectativa é maior, mas não sou esquisita e abraço igualmente o digital.
Especialmente quando descobrimos que "aquela" foto ficou tão bem.

10. Beijinhos.
Do conceito de bem bom. :)