sexta-feira, 28 de novembro de 2014

100 palavras por dia.

É este o desafio, agora que o mestrado acabou e o vazio é esmagador. Talvez mais. Quando for preciso, menos. Nada, nunca.

Não sei bem quando começa, mas fica feita a promessa.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

3 coisas que aprendi em 3 anos de licenciada.

1. Ninguém se importa.

2. A Comissão da Carteira é uma Comissão de Chulos.

3. Não é para hoje.

Venham mais 3 anos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Algumas notas.

ABRIL 13, 2009
Algumas notas.
(...)
4. O artigo de análise anda a meio gás. Nem eu gosto da minha versão 1.0. Mas, como dizem, o que tem que ser tem muita força, e logo terá que ser mesmo.
Publicarei.

A história repete-se. Protelando desde sempre. #vaitese

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Economistas.

"Só que o comportamento humano, felizmente, é mais complexo e diverso do que presume o modelo do homo oeconomicus. Não só existem almoços grátis, como existem almoços que só são servidos de graça.

Aliás, é significativo que aqueles que menos disponibilidade têm para o entender sejam precisamente os economistas formatados na ideologia da prossecução estreita e tacanha do interesse próprio. Em numerosos estudos de economia experimental em que economistas ou estudantes de economia foram comparados enquanto sujeitos com grupos de controlo (não economistas), os primeiros mostraram-se consistentemente mais propensos a porem em prática o tipo de comportamento auto-interessado, não-cooperativo e egoísta previsto e afirmado pela teoria - revelando que esta, apesar de errada, é performativa, pois transforma a realidade no sentido postulado."

Sim, 70% da FEP faz-me espécie.

Aqui.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Why I Teach Plato to Plumbers

"So, what good, if any, is the study of the liberal arts, particularly subjects like philosophy? Why, in short, should plumbers study Plato?

My answer is that we should strive to be a society of free people, not simply one of well-compensated managers and employees. Henry David Thoreau is as relevant as ever when he writes, “We seem to have forgotten that the expression ‘a liberal education’ originally meant among the Romans one worthy of free men; while the learning of trades and professions by which to get your livelihood merely, was considered worthy of slaves only.”

Traditionally, the liberal arts have been the privilege of an upper class. There are three big reasons for this. First, it befits the leisure time of an upper class to explore the higher goods of human life: to play Beethoven, to study botany, to read Aristotle, to go on an imagination-expanding tour of Italy. Second, because their birthright is to occupy leadership positions in politics and the marketplace, members of the aristocratic class require the skills to think for themselves. Whereas those in the lower classes are assessed exclusively on how well they meet various prescribed outcomes, those in the upper class must know how to evaluate outcomes and consider them against a horizon of values. Finally (and this reason generally goes unspoken), the goods of the liberal arts get coded as markers of privilege and prestige, so that the upper class can demarcate themselves clearly from those who must work in order to make their leisure and wealth possible."

Aqui.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Coisas boas.

Fragmentos de felicidade:

1. Postais.
Coisas na caixa do correio em geral.
Mas postais é que dão borboletas na barriga.

2. Minis no frigorífico.
Choro de felicidade.

3. Medalhas de ouro olímpicas.
Atletas a chorar enquanto a bandeira é hasteada e se ouve o hino.
Choro também.

4. Fandangos.
Preciso explicar?

5. O momento depois de entregar o IRS.
Ninguém conhece o verdadeiro alívio até o momento em que entrega a declaração do IRS pela primeira vez.

6. O Natal.
Família, calor, gelados e o sorriso dos meus avós.
Não há nada que lhe chegue aos pés.

7. Ler.
Das infinitas possibilidades de libertação.

8. Passar.
A um teste, a um concurso, ao próximo nível do Candy Crush Saga.
Heróis por alguns instantes.

9. Ver fotos pela primeira vez.
Quando acabamos de as revelar a expectativa é maior, mas não sou esquisita e abraço igualmente o digital.
Especialmente quando descobrimos que "aquela" foto ficou tão bem.

10. Beijinhos.
Do conceito de bem bom. :)

domingo, 9 de março de 2014

Analog love #3: Werlisa.

A primeira câmara em que podia controlar aberturas e velocidades manualmente. Ainda não atinei com o cálculo das distâncias, mas foi suficiente para ficar feliz mesmo depois do primeiro rolo ter-me dado fotos em tons magenta, com os focos todos mal e regra geral com a margem muito rente às cabeças.
Enfim, tem-me feito feliz.












terça-feira, 28 de janeiro de 2014

24 menos 3 quartos.

Não vou disparatar que a idade pese, porque 24 não é idade que represente nada de grandioso. Mas gostei tanto dos 23 que me custa um pouco dizer adeus, ainda mais depois do carinho com que planeei a despedida.
Não é de ser velha, mas ter a sensação de que já não há mais tempo a perder, de que já passou um pouco o tempo de experimentar.
Não me vejo com 24, como não me via com 23 - aliás, desde os 19 parece que o espelho (o interior, o outro, o dos outros) deixou de acompanhar a lógica do tempo.
O relógio não pára, duas horas, uma, três quartos. E, nisto, o tempo passa.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Porque escolhi ser jornalista.

Volta e meia uma pessoa filosofa um bocado sobre as opções que tomou na vida. Passados dois anos desde que terminei o curso, dois empregos e meio mestrado depois, acabada de chegar a casa de uma ida à exposição do World Press Photo, acho que me sinto pronta para uma segunda tentativa (que não será a última).

Escolhi ser jornalista porque era a única profissão que não podia ter escolhido.

A minha piada preferida é dizer que sou tão pobre que tenho que fazer contas ao número de chiclas que as coisas custam (porque chiclas é a única coisa que tenho dinheiro para comprar, blá blá), mas eis que saio do meu casulo e o mundo lá fora dá-me uma chapada na cara.

Sou uma privilegiada. Nasci num hospital em condições, filha de pais amorosos e rodeada por uma família unida. Fui à escola, tive bons professores, li bons livros, descobri como é que o mundo chegou ao ponto em que está. Escolhi que rumo dar à minha vida e deram-me a liberdade de seguir o caminho que quis.

Não fui atirada do topo de um edifício, de mãos dadas com os meus pais que se suicidavam para fugir à miséria. Não fui atacada com ácido pelo meu próprio pai que impedia a minha mãe de fugir da sua casa e das suas agressões. Não perdi a minha casa por causa de um furacão que passou pela minha cidade. Não tive que ver os meus pais partirem para ganhar dinheiro numa cidade distante. Não tive que partir para ganhar dinheiro e ser recebida com violência em outro país. Não tive que resignar-me a uma vida de repressão, de tradições desumanas, de guerras, de morte.

Todas estas são histórias reais. São histórias que podiam ser a minha, que podiam ser a nossa, que me custa não tocarem a todos como merecem. E isto persegue-me a cada momento, cada vez que leio uma reportagem ou vejo uma fotografia, cada vez que saio à rua e olho à minha volta, cada vez que chego a casa e penso no que estou a fazer da vida, cada vez que entro um pouco mais na vida de cada pessoa que confia em mim para contar a sua história.

Não sabia nada disto quando entrei no curso de jornalismo. Não sabia que o coração não é de pedra e que não há quem aguente sem tremer quando vê de perto que o mundo não é bom para todos. Não sabia que era tão difícil mudar o mundo, não porque o que faças não faça efeito, mas porque o mundo te corta as pernas porque não quer ser mudado. Não sabia que isto nos mudava tanto, e que por mais que tentemos criar distrações as coisas nos atinjam sempre, e cada vez mais, lá no fundo.

Era a única profissão que não podia ter escolhido, porque é provável que nunca esteja realmente preparada para aguentar todo este sentimento do mundo.

Tirando o facto de não conseguir sequer imaginar-me a fazer outra coisa.


Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O dia em que comprei um smartphone.

Não foi um iPhone. Não foi um Lumia. Não foi sequer um Samsung daqueles mais baratos. Foi um Vodafone Smart II, uma coisinha de 50 euros com Android que tirava fotos e tinha Wi-fi.
Realizei o meu sonho de poder ver o Facebook no autocarro. De ter um diário fotográfico. De não precisar de ter o computador sempre atrás.
Descobri que não precisava imprimir tudo, porque os PDFs estavam mesmo ali à mão. Que podia aprender línguas porque havia uma aplicação para isso. Que podia ler todas as notícias logo cedo, e guardar as que queria para ler melhor na volta para casa.
Há um mês, foi a vez do Vodafone Smart III.