segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Coisas boas.

Fragmentos de felicidade:

1. Postais.
Coisas na caixa do correio em geral.
Mas postais é que dão borboletas na barriga.

2. Minis no frigorífico.
Choro de felicidade.

3. Medalhas de ouro olímpicas.
Atletas a chorar enquanto a bandeira é hasteada e se ouve o hino.
Choro também.

4. Fandangos.
Preciso explicar?

5. O momento depois de entregar o IRS.
Ninguém conhece o verdadeiro alívio até o momento em que entrega a declaração do IRS pela primeira vez.

6. O Natal.
Família, calor, gelados e o sorriso dos meus avós.
Não há nada que lhe chegue aos pés.

7. Ler.
Das infinitas possibilidades de libertação.

8. Passar.
A um teste, a um concurso, ao próximo nível do Candy Crush Saga.
Heróis por alguns instantes.

9. Ver fotos pela primeira vez.
Quando acabamos de as revelar a expectativa é maior, mas não sou esquisita e abraço igualmente o digital.
Especialmente quando descobrimos que "aquela" foto ficou tão bem.

10. Beijinhos.
Do conceito de bem bom. :)

domingo, 9 de Março de 2014

Analog love #3: Werlisa.

A primeira câmara em que podia controlar aberturas e velocidades manualmente. Ainda não atinei com o cálculo das distâncias, mas foi suficiente para ficar feliz mesmo depois do primeiro rolo ter-me dado fotos em tons magenta, com os focos todos mal e regra geral com a margem muito rente às cabeças.
Enfim, tem-me feito feliz.












terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

24 menos 3 quartos.

Não vou disparatar que a idade pese, porque 24 não é idade que represente nada de grandioso. Mas gostei tanto dos 23 que me custa um pouco dizer adeus, ainda mais depois do carinho com que planeei a despedida.
Não é de ser velha, mas ter a sensação de que já não há mais tempo a perder, de que já passou um pouco o tempo de experimentar.
Não me vejo com 24, como não me via com 23 - aliás, desde os 19 parece que o espelho (o interior, o outro, o dos outros) deixou de acompanhar a lógica do tempo.
O relógio não pára, duas horas, uma, três quartos. E, nisto, o tempo passa.

terça-feira, 3 de Dezembro de 2013

Porque escolhi ser jornalista.

Volta e meia uma pessoa filosofa um bocado sobre as opções que tomou na vida. Passados dois anos desde que terminei o curso, dois empregos e meio mestrado depois, acabada de chegar a casa de uma ida à exposição do World Press Photo, acho que me sinto pronta para uma segunda tentativa (que não será a última).

Escolhi ser jornalista porque era a única profissão que não podia ter escolhido.

A minha piada preferida é dizer que sou tão pobre que tenho que fazer contas ao número de chiclas que as coisas custam (porque chiclas é a única coisa que tenho dinheiro para comprar, blá blá), mas eis que saio do meu casulo e o mundo lá fora dá-me uma chapada na cara.

Sou uma privilegiada. Nasci num hospital em condições, filha de pais amorosos e rodeada por uma família unida. Fui à escola, tive bons professores, li bons livros, descobri como é que o mundo chegou ao ponto em que está. Escolhi que rumo dar à minha vida e deram-me a liberdade de seguir o caminho que quis.

Não fui atirada do topo de um edifício, de mãos dadas com os meus pais que se suicidavam para fugir à miséria. Não fui atacada com ácido pelo meu próprio pai que impedia a minha mãe de fugir da sua casa e das suas agressões. Não perdi a minha casa por causa de um furacão que passou pela minha cidade. Não tive que ver os meus pais partirem para ganhar dinheiro numa cidade distante. Não tive que partir para ganhar dinheiro e ser recebida com violência em outro país. Não tive que resignar-me a uma vida de repressão, de tradições desumanas, de guerras, de morte.

Todas estas são histórias reais. São histórias que podiam ser a minha, que podiam ser a nossa, que me custa não tocarem a todos como merecem. E isto persegue-me a cada momento, cada vez que leio uma reportagem ou vejo uma fotografia, cada vez que saio à rua e olho à minha volta, cada vez que chego a casa e penso no que estou a fazer da vida, cada vez que entro um pouco mais na vida de cada pessoa que confia em mim para contar a sua história.

Não sabia nada disto quando entrei no curso de jornalismo. Não sabia que o coração não é de pedra e que não há quem aguente sem tremer quando vê de perto que o mundo não é bom para todos. Não sabia que era tão difícil mudar o mundo, não porque o que faças não faça efeito, mas porque o mundo te corta as pernas porque não quer ser mudado. Não sabia que isto nos mudava tanto, e que por mais que tentemos criar distrações as coisas nos atinjam sempre, e cada vez mais, lá no fundo.

Era a única profissão que não podia ter escolhido, porque é provável que nunca esteja realmente preparada para aguentar todo este sentimento do mundo.

Tirando o facto de não conseguir sequer imaginar-me a fazer outra coisa.


Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

O dia em que comprei um smartphone.

Não foi um iPhone. Não foi um Lumia. Não foi sequer um Samsung daqueles mais baratos. Foi um Vodafone Smart II, uma coisinha de 50 euros com Android que tirava fotos e tinha Wi-fi.
Realizei o meu sonho de poder ver o Facebook no autocarro. De ter um diário fotográfico. De não precisar de ter o computador sempre atrás.
Descobri que não precisava imprimir tudo, porque os PDFs estavam mesmo ali à mão. Que podia aprender línguas porque havia uma aplicação para isso. Que podia ler todas as notícias logo cedo, e guardar as que queria para ler melhor na volta para casa.
Há um mês, foi a vez do Vodafone Smart III.

domingo, 29 de Setembro de 2013

“Tornem as vossas vidas extraordinárias.”

Acho que vou inventar uns jornais só para voltar a escrever editoriais - eram a parte mais divertida quando a hora de fecho se aproximava.

O que falta cumprir

Estes são tempos de mudança. Na Tunísia, no Egipto, as pessoas revoltam-se contra injustiças e corrupção. Mesmo sem o devido apoio vindo das democracias com que sonharam, estes povos lutam e reivindicam uma vida melhor, de liberdade e temperança. Mesmo não sabendo para onde caminham ao certo, sabem que o que não querem é estar ali.
Num filme popular um professor sussurra aos seus alunos “tornem as vossas vidas extraordinárias”. É preciso fazer coisas extraordinárias, como tunisinos e egípcios propuseram-se fazer. É quando cada um faz a sua quota de coisas extraordinárias que as grandes alterações ocorrem e é possível mudar o mundo.
Parece que ainda não aprendemos a ser extraordinários em Portugal. Já Eça de Queirós considerava que “em pequenos, temos todos uma pontinha de génio” mas que acabávamos “erguendo até aos céus o monumento da camelice”. Os que fogem a este fado, infelizmente, não ficam muito tempo por cá.
Estes são tempos de mudança. São tempos de, também aqui, abandonar-se o “deixa andar” e passar-se à acção. Com ou sem grandes revoluções, é preciso que cada um faça a sua parte para mudar o rumo do país. Para combater a corrupção que arrastou os rios de dinheiro que por cá correram, aos quais poucos viram a foz. Para acabar com a governação de batata quente, onde se atiram as culpas de uns para outros, enquanto se põe em prática medidas que não são mais do que “nados-mortos”.
É preciso acordar e fazer coisas extraordinárias. E querer que, também em Portugal, venham tempos de mudança.

sábado, 28 de Setembro de 2013

Analog love #2: Descartáveis.


Não há segredo nenhum: é apontar e disparar. Há um flash (normalmente exagerado) que é preciso carregar e há distâncias mínimas e máximas a obedecer.
O resultado é o amor. E é aí, quando se tem 27 fotos para tirar em três cidades, que se pára para ver realmente o que se está a fotografar (a não ser que seja o fim do rolo e já estejas ébrio e de volta à tua terra).










sexta-feira, 13 de Setembro de 2013

Analog love #1: Lomo


A Actionsampler foi a minha primeira câmara, aos 19 anos, por isso o carinho especial. A Matilde não gosta dela, acha horrível não saber como está a fotografar. Eu acho que vale a pena, nem que seja pelo prazer de ver como a luz entra em cada lente, as cores vibrantes a repetirem-se, mesmo quanto aponto enfadonhamente para o mesmo ponto.
As crianças também adoram. E as fotos no armário dão um ar muito mais humano ao meu quarto miserável.











Conexão Brasil-Portugal.



"Ainda me lembro do ano em que fiz 14 anos. Comecei a verificar todos os dias de férias que tínhamos passado no Brasil, todas as viagens que pudéssemos ter feito para outros países que descontassem um pouco a contagem. Dentro de poucas semanas, eu teria estado mais tempo em Portugal do que no país em que nasci."

Vou regressar às origens: Conexão Brasil-Portugal.

Como aprendi a fazer tricot pela net.

A Clarisse não aprova muito - acha que é melhor ter um professor de carne, osso e didática -, mas eu sou adepta do "quem não tem cão, caça com gato". Neste caso, com tutoriais do YouTube.



E foi com este vídeo que, há três anos, fizemos um cachecol.

Também me lembro de não ter aprendido nada sobre ActionScript 3.0 nas aulas de um professor cujas iniciais eram A, V e C, e acabei por pedir ajuda à mãe Internet, em plenas 3h da madrugada de uma sexta para sábado, para logo depois mandar esquemas simplificados para os colegas dos outros grupos que me faziam companhia no edifício da faculdade.



O meu último exemplo de como o YouTube salvou a minha vida devo-o à Mônica, que me mostrou o blog da Camila Coelho, uma brasileira emigrada para os EUA que faz tutoriais de... Maquilhagem. Ela na altura parecia meh-meh, mas hoje em dia pelos vistos é alta cena.



Escusado será dizer que a cena de querer aprender a aplicar o eyeliner (o dêlineádô) foi "culpa" da Matilde. :)

(Para quem gostava de aprender tricot, encontrei este vídeo genial.)